Nina Horta

 

 

O PEÃO BOIADEIRO

 

 

Já compraram o guia do Josimar? Não dá para não ter, é o nosso Zagat, antes de sair, mesmo que você já saiba onde quer ir, pode mudar de idéia no caminho, vai precisar do endereço e do telefone. Guardo no porta-luvas do carro, e tenho outro em casa, para fazer reservas, essas coisas, e ler um pouco de vez em quando. Não há nada melhor do que ler guias de viagem, melhor do que viajar, e guias de comida também povoam sua cabeça de pratos desejados, de restaurantes nunca visitados....

 

 

A COZINHA SERTANEJA



Vocês vão achar que estou me especializando em livros com as páginas grudadas por arame em espiral. Não, geralmente são ruins, aqui só falo dos que são bons.

Venho, com remorso, acompanhando a feitura desse livro, sem fazer alguma coisa para ajudar. O ajudar era dar palpite. Agora vejo que a autora não precisava de palpite nenhum.

 

A COZINHA SERTANEJA

a comida de peão e boiadeiro.

Silvia Corrêa Petroucic

 

 

Silvia Corrêa Petroucic é de Barretos, aquela cidade de São Paulo onde todo ano acontece a festa do peão, que a gente vê na TV e jura que vai no ano seguinte. É psicóloga e por vários motivos resolveu nos mostrar os pratos típicos de lá, derivados da comida de boiadeiros que por lá passavam, e do fogo de chão, improvisado, onde as cozinhavam. Venho vendo o livro há algum tempo, cada vez melhorava um pouco e agora saiu uma edição que pode ser a definitiva. E que não dá só receitas,o que é muito bom.

            Entrevista os boiadeiros, nessa profissão de levar o gado de um lugar ao outro. Profissão que já não existe mais, só uns restinhos aqui e ali, e que ela com muita propriedade põe no papel, para ninguém se esquecer das tradições.

“ Percebi nesse homem sereno a natureza independente de uma alma solteira.  Só ela explica a vontade de passar dias no lombo do burro, na estrada, cavalgando no silêncio, longe de casa e da família, ouvindo apenas o barulhos dos animais e de vez em quando, o berrante ou o som de uma viola.”

            Este foi um informante seu, que descreveu tim tim por tim tim uma  comitiva. Desde o comissário, capataz, o ponteiro, os afiadores, os segundeiros, os chaveiros, os arribadores, ao peão culatreiro.

Descreve com vagar a lida das comitivas:

“o cozinheiro era o primeiro a acordar; enquanto escorria a água do feijão que passara a noite no fogo, um peão escalado de véspera trazia as mulas cargueiras.....nas bruacas a tralha com a perfeição que os anos ensinaram. Panelas, grelhas,canecas. De mantimentos apenas os que suportam o calor da estrada: arroz, feijão, carnes secas e salgadas, toucinho na palha, alho e cebola.”

            O berrante,o peão da fazenda, o fogão a lenha,o peão de rodeio, a festa do peão de boiadeiro, a queima do alho, a catira, o churrasco, o café.

            Só de ler os títulos dos capítulos não dá vontade de ler o livro? Cada um deles é seguido por receitas. Aí a coisa vai mais longe e começa a dar vontade de assistir a tal de festa, que ela descreve muito bem, de ir comer uma galinhada numa das fazendas, de tomar aquele café feito na hora, com o bule sempre sobre o fogão..

            Temos as receitas que conhecemos mas algumas dá vontade de fazer já por nunca ter experimentado, por exemplo:

Arroz com alho na casca,  farofa crua, bolinho de São Benedito.

Sem contar, é claro, as galinhas, a carne seca, a carne de sereno, o virado caipira, carne seca com banana.

            O livro é pequenino, o lucro da venda dele vai para uma instituição de caridade e não entendo porque uma grande editora não patrocinou o livro, que poderia dobrar de tamanho com a quantidade de receitas que Silvia Petroucic ainda tem nas gavetas.

Mais uma pitada do livro:

“Boiada muito grande, com umas 1500 cabeças tem que dividir em duas e conduzir uma atrás da outra.  As mulas são em número um pouco maior que o dobro dos peões, lideradas por um cavalo, chamado cavalo da madrinha.

            Outros peões, além do comissário e do capataz, têm funções específicas. “O ponteiro vai à frente da boiada, toca o berrante se houver algum perigo. Seus toques e repiques específicos norteiam tanto os colegas como o gado.  Os primeiros cinco dias costumam ser mais tensos porque os animais ainda estão indóceis, não estão habituados com o estradão.  Depois se acostumam com a marcha diária  de vinte quilômetros. Atrás do ponteiro, ainda na cabeceira da boiada, dos lados direito e esquerdo, vêm os afiadores. Rodeando as reses, em seguida, os segundeiros.  Mais atrás, quase no meio da boiada, os chaveiros.  Às vezes um boi fujão parece adivinhar o destino da jornada e se embrenha pelas matas. Ai, o peão arribador  tem que ir atrás do animal . Coitado se voltasse sem ele!...........

            A marcha da comitiva não é a mesma durante a viagem Depois de uns oito dias formava-se a culatra, um grupo de passo mais lento, com animais machucados ou doentes.          Quando alguns animais ficam mais prejudicados pela aftosa com o casco estropiado, a culatra é subdividida, forma-se a culatra manca.  Para conduzir a culatra é nomeado o peão culatreiro . Na culatra manca o culatreiro tem que seguir a pé, puxando a mula pelo cabresto. É o último a chegar nos pontos de pouso de almoço - onde muitas vezes não encontra os companheiros , só a comida deixada no local combinado - e também no pouso noturno.”

Garanto que os que não são peões não sabiam disso, confessem. E que dó do peão culatreiro, que dó. Caminhar na comitiva, mas fora dela. Conforme o viés que lermos o livro pode até servir de descrição da vida de todo dia...

E o berrante? Só o berrante já faz uma cicatriz na alma, que coisa mais linda, que som mais triste, lá no sítio o Seu Estevão tocava o berrante de tardezinha para chamar o gado. E os bichos, (uns seis ou oito), estivessem onde estivessem vinham se juntar e andar atrás dele. E dava aquela vontade de chorar, no crepúsculo, aquele instrumento primitivo tocando. Seu Estevão não deixou discípulos, não se toca mais o berrante no sítio. Até que todos tentaram aprender, jamais conseguiram e seu Estevão tampava a boca sem dentes e se ria...

 

Vou copiar uma receitinha poética

CARNE DE SERENO

Ingredientes

 

2 kg de contrafilé, em bifes grandes e grossos (não retire a gordura)

Para a salmoura:

½ kg de sal grosso

3 colheres de vinagre

Caldo de 1 limão (uso um limão de polpa vermelha que chamamos de china, também conhecido como limão cravo.)

Água suficiente para cobrir a carne.

 

Modo de preparo

Inicio o preparo dois dias antes de servir. À tardinha, deixe por duas horas os bifes na salmoura. Retire e coloque no varal para tomar sereno. Ao raiar do dia, recolha mas não ponha na geladeira. Leve de volta ao sereno por mais uma noite. Asse em churrasqueira, em chapas de folha de flandres ou no fogão a lenha.

Para 10 pessoas Tempo de preparo - 2 dias.

Escrito por Nina Horta às 18h21

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MAIS ENTREVISTA BOURDAIN

Behind the Scenes in Brazil - Photo 3

Vejamos sua entrevista:

Nas suas viagens tem saudades de casa?

Tenho, para falar a verdade, tenho. De vez em quando. Especialmente agora que sou pai recente. As comidas que mais me fazem falta são aquelas especificamente novaiorquinas já conhecidas, como bagels quentinhos, bialeys, sanduíches de pastrami, pizza de caixinha, cachorros quentes feitos na água suja e o delivery italiano que adoro pedir junto com minha mulher.

 

Quem cozinha?Quase não cozinho. Minha mulher é italiana - e critica muito minhas comidas italianas - de modo que quando me meto a cozinhar geralmente faço alguma coisa francesa bem simples- como um Boeuf bourguinon, ou um filet mignon au poivre. As chances maiores são delivery. Geralmente italiano, japonês ou chinês.

O que toma no café da manhã?

Café. E pronto. Só.  Raramente tomo café da manhã. Antigamente fumava um cigarro junto com o café.  Mas parei, recentemente.

 

Como escreve?

Geralmente escrevo à mão. Antes nuns bloquinhos de linhas amarelas. Ou em casa, ou aviões ou quartos de hotel, onde der.Depois transcrevo e reescrevo ao mesmo tempo no computador. Tento escrever diariamente mas às vezes é impossível por causa dos horários de gravação do programa - e os lugares incrivelmente remotos que visitamos.  

Ouvi dizer que se encantou com Salvador?

ADORO Salvador. Tem todos os elementos comuns a tantos lugares que aprecio muito  É uma cultura “misturada”- com uma fusão natural de ingredientes e influências, o resultado de povos de origens diferentes morando juntos e cozinhando juntos por um grande período de tempo.  Gosto dos ingredientes picantes e coloridos da África. Gosto de moqueca, acarajé, peixe embrulhado em folha de bananeira, mocotó e caipirinha.. Gosto da praia, onde o pessoal da Bahia se junta em grandes grupos e comem queijo espetado num palito e camarõezinhos e dançam e nadam  e ficam batendo papo à toa.  Gosto deste povo de muitas cores nuançadas.  Mas, meu prato preferido no Brasil é feijoada.  É a ilustração perfeita do que eu digo: de que os melhores pratos da gastronomia surgem de origens, tempos e circunstâncias difíceis - que representam um triunfo de criatividade sobre a adversidade. E a feijoada, nos seus primórdios, eram restos,pedaços que sobravam para os escravos - transformados em alguma coisa tão celebrativa e deliciosa - é o perfeito  exemplo de tudo que eu acredito sobre toda a história  da comida de todos os tempos. Isto, das pessoas aprenderem a cozinhar bem a qualquer hora - porque tinham que, não havia outra saída.

O que comeu de pior nas suas aventuras?

O warthog sem limpar, com intestino e tudo que comi com o povo Bushmen no Kalahari. Era pelo, areia e fezes em cada mordida.
The uncleaned warthog--with rectum with the Bushmen in the Kalahari.Fur, sand and crap in every bite.

Quantos lugares do mundo já conheceu?

Nem eu sei. Bem mais que quarenta. Meus favoritos são o Vietnam, Indonesia, Brasil, Espanha, Japão, China, Itália, Malásia e Cingapura. Não é coincidência que todo estes povos tenham mania de comida, a comida deles é realmente boa..

Você parece que amansou nos últimos tempos..
 Estou definitivamente menos cínico, hoje em dia - depois que tanta gente (como no caso de Claudia, em São Paulo), me trataram tão bem Mas o negócio é bravo. Para cada vinte momentos felizes e redentores e  agradecidos, parece que há momentos altamente desconcertantes e que me tiram o tesão. ( como testemunhar a guerra em Beirute.) Há altos e baixos, e continuamos do melhor modo possível.  Talvez isto seja o máximo que se possa esperar.

Em qual meio de comunicação se sente mais confortável?

Gosto de fazer TV. Gosto do processo de editar, escolher a música, planejar e escrever as minhas falas, e quando tudo se junta é a parte “contadora de histórias” do serviço que mais gosto - vendo e fazendo com que todas aquelas pequenas partes se juntem e comecem a fazer sentido.  É um jeito muito novo de fazer o que sempre faço atualmente, escrever ensaios, acho eu. Agora, estar na televisão não é tão divertido Gosto de ir aos lugares que vou com minha equipe, fazer as coisas que faço, e ter estas experiências variadas e criar histórias sobre o que fiz.  Mas, de vez em quando me vem à cabeça que estar em frente à câmera não é tão legal.Escrever livros é provavelmente o truque mais fácil. Mais fácil que TV e cinema.  Detesto trabalho de revista - odeio -  cumprir compromissos chatos ou escrever de encomenda.  A não ser que eu tenha um assunto que precise espalhar aos quatro ventos.

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Escrito por Nina Horta às 14h49

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     O que está lendo agora? 


   Livro? O Americano Tranqüilo de Graham Greene, ou Os amigos de Eddie Coyle de George V Higgins.

   Fizemos um show com ele em Nova Orleans.Último filme foi um baseado numa coleção de colunas de jornal sobre o furacão Katrina e suas conseqüências. . Assisti tb Eastern Promises. Gosto de um filminho de gangsters.

 O que vc não pode se esquecer de levar em suas viagens?  

Meu laptop e um remédio para diarréia.  E quantos livros eu possa levar para ler no avião, meu celular, e uma foto de minha filha. 

    E uma roupa velha que não pode ficar em casa?

   Minhas velhas botas de cowboy que se ajustam tão bem que meu pé não dói nunca.

  A melhor comida que jamais comeu?

 Talvez uma tigela de pho num vendedor de rua em Saigon.

  Hobbies?

  Ler

Bichos?

 Tenho um gato preto chamado Lupeto (Lobinho). Em casa gosto de assistir filmes em DVD, comer nos restaurantes de New York com os chefs meus amigos. E brincar com minha filha. Sou um ás para trocar fralda de criança. 

 Qual seria seu dia perfeito?

 Acordar com a família perto e uma boa praia. Brincar com a filha. Ir para a praia. Nadar. Ler. Almoçar.  Ir para casa.  Mergulhar na piscina Fazer sexo com a mulher.  Tirar uma soneca.  Andar por ali.  Assistir um formidável DVD “novo”, a versão original de Orson Wells, uma obra prima. O The magnificent Ambersons (Nunca antes visto por alguém) Jantar, descalço, no charmoso restaurante do lugar.  A comida é picante.Ir para casa, ver alguma coisa bem idiota na TV com a família. Dormir. Mas devo lembrar que não me sobram muitos dias comuns como este

 O que não falta na sua geladeira?

  Água e champagne. Não muito mais do que isto.  Não fico em casa o tempo suficiente para ter coisas que se estraguem na geladeira. Quando eu chegasse em casa tudo teria se transformado numa experiência científica..

 Algum vício?

Não, parei de fumar por causa de minha filha. Acho que já foi um começo.


 

  Quando é que vc gasta dinheiro sem pensar em nada?
Geralmente nas férias.  Gasto uma quantidade incrível alugando casa, em hotéis por uma ou duas semanas- nas raras ocasiões em que temos tempo.  Sem ser isto? Não sou dono de nada. Não tenho carro, nem casa. Nada. Uns blazers legais e um bom conjunto de facas.

.
Uma noite comum
Jantar num bistrô do bairro. Um filme ou DVD, talvez. Dar comida para minha filha. Brincar com minha filha. Checar os emails.  Cama.

Se não fosse aquela empurradinha de sua mãe será que tudo isto teria acontecido?

Acho que tenho que dar crédito a ela por ser louca o bastante e achar que New Yorker me publicaria. Mandei o artigo mais para agradá-la.  Aconteceu que estava certa. O meu crédito é ter conseguido escrever imediatamente Cozinha Confidencial, que também deu certo, por ter conseguido fazer uma coisa divertida, e não ter fodido com a coisa toda.


Escrito por Nina Horta às 14h38

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Entrevista com Bourdain

  

O que está lendo agora? 


   Livro? O Americano Tranqüilo de Graham Greene, ou Os amigos de Eddie Coyle de George V Higgins.

   Fizemos um show com ele em Nova Orleans.Último filme foi um baseado numa coleção de colunas de jornal sobre o furacão Katrina e suas conseqüências. . Assisti tb Eastern Promises. Gosto de um filminho de gangsters.

 O que vc não pode se esquecer de levar em suas viagens?  

Meu laptop e um remédio para diarréia.  E quantos livros eu possa levar para ler no avião, meu celular, e uma foto de minha filha. 

    E uma roupa velha que não pode ficar em casa?

   Minhas velhas botas de cowboy que se ajustam tão bem que meu pé não dói nunca.

  A melhor comida que jamais comeu?

 Talvez uma tigela de pho num vendedor de rua em Saigon.

  Hobbies?

  Ler

Bichos?

 Tenho um gato preto chamado Lupeto (Lobinho). Em casa gosto de assistir filmes em DVD, comer nos restaurantes de New York com os chefs meus amigos. E brincar com minha filha. Sou um ás para trocar fralda de criança. 

 Qual seria seu dia perfeito?

 Acordar com a família perto e uma boa praia. Brincar com a filha. Ir para a praia. Nadar. Ler. Almoçar.  Ir para casa.  Mergulhar na piscina Fazer sexo com a mulher.  Tirar uma soneca.  Andar por ali.  Assistir um formidável DVD “novo”, a versão original de Orson Wells, uma obra prima. O The magnificent Ambersons (Nunca antes visto por alguém) Jantar, descalço, no charmoso restaurante do lugar.  A comida é picante.Ir para casa, ver alguma coisa bem idiota na TV com a família. Dormir. Mas devo lembrar que não me sobram muitos dias comuns como este

 O que não falta na sua geladeira?

  Água e champagne. Não muito mais do que isto.  Não fico em casa o tempo suficiente para ter coisas que se estraguem na geladeira. Quando eu chegasse em casa tudo teria se transformado numa experiência científica..

 Algum vício?

Não, parei de fumar por causa de minha filha. Acho que já foi um começo.


 

  Quando é que vc gasta dinheiro sem pensar em nada?
Geralmente nas férias.  Gasto uma quantidade incrível alugando casa, em hotéis por uma ou duas semanas- nas raras ocasiões em que temos tempo.  Sem ser isto? Não sou dono de nada. Não tenho carro, nem casa. Nada. Uns blazers legais e um bom conjunto de facas.

.
Uma noite comum
Jantar num bistrô do bairro. Um filme ou DVD, talvez. Dar comida para minha filha. Brincar com minha filha. Checar os emails.  Cama.

Se não fosse aquela empurradinha de sua mãe será que tudo isto teria acontecido?

Acho que tenho que dar crédito a ela por ser louca o bastante e achar que New Yorker me publicaria. Mandei o artigo mais para agradá-la.  Aconteceu que estava certa. O meu crédito é ter conseguido escrever imediatamente Cozinha Confidencial, que também deu certo, por ter conseguido fazer uma coisa divertida, e não ter fodido com a coisa toda.

 

Escrito por Nina Horta às 14h33

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Bourdain no Rio de Janeiro

        

Anthony Bourdain passou por aqui. Eu gosto dele, gostei desde o artigo na New Yorker que resultou no “Cozinha Confidencial”. Achei atraente, másculo, aquele estilo rombudo (e meio Rambo, desculpem-me o trocadilho...) de amar a cozinha escancaradamente, meio desajeitado, mais pelo ato de cozinhar, pelo esforço físico da coisa que pela elaboração de pratos complicados. E apesar de toda este machismo posado, lá no fundo, ainda está o menininho de calças curtas. O mesmo que provou uma ostra e daquela experiência determinou sua vida, virou cozinheiro. Ele tem este lado frágil, até cândido de vez em quando, confessando não ser tão bom quanto gostaria e se derretendo em frente a Chefs como Arzak.

         Bourdain está de novo na estrada, na esteira do sucesso inesperado do primeiro livro, traduzido em toda parte, veio ao Brasil com o programa “A Cook´s Tour” em que procura a refeição perfeita, e que já deu outro livro, a ser publicado no ano que vem em português. Mas sua passagem era veloz, e tive que entrevistá-lo por telefone, esquecendo-me do crônico e famoso sistema complicado de comunicações do Rio de Janeiro...

         Como combinado, às dez horas em ponto liguei para o hotel, tinha que ser pontual, a agenda dele é absurda, comer aqui e ali, no Rio e em Salvador, filmar, subir e descer morros, atrás daqueles lugares escondidos e intocados pelos turistas (ainda haverá disto no mundo?) e daquelas coisas raras que ninguém come (ainda?...etc.).

         Inútil dizer que deu ocupado. Foi uma pequena saga, ligar para a Editora, descobrir outro telefone, etc. Priiiiiim!!!!!! Atendeu, voz de acordado, me identifiquei. Estava com todas as perguntas em inglês, com espaço entre elas para responder. Não sei quem estava mais nervoso, eu ou ele, e então acho que um pegou aq ansiedade no outro e não rolou. Ele ria com gracinhas, tem voz forte, bonita, mas a louca aqui sentiu mil coisas por trás, que claro, podem ser todas inventadas. Tudo comparado com o Jeffrey Steingarten que era um homem que trocava idéias na entrevista, você sentia curiosidade e interesse na voz dele, e este guardava-se, e respondia exatamente dentro do papel que inventaram ou que ele inventou para si mesmo e do qual não pode escorregar. Ainda lá no fundo o menininho inseguro. Se animou de verdade quando falei que o considerava mais um escritor do que cozinheiro, ao que ele protestou, não, era mais cozinheiro, escrever para ele é a coisa mais fácil do mundo enquanto cozinhar é danado de complicado. Um problema que parece que houve é que alguém deve ter falado que ele iria ser entrevistado por uma velha Marcella Hazan e aí, o homem pode ter se segurado a linguagem cabeluda de “fucks” que gosta de exibir nos livros.

Bate pronto com o Bourdain:

-”Meus livros preferidos são o The French Laundry Cookbook [livro do restaurante californiano homônimo], George Orwell e The Kitchen Hotel Splendide de Ludwig Bemelmans. Também gosto do Nicholas Freeling.”

-”Não sou apaixonado por livros de comida, prefiro livros que falem da vida, do lugar, da experiência”.

-Perguntado se todas as descrições incruentas de matanças de animais, coisa corriqueira para nós (matar um porco ou uma galinha no Brasil é parte da culinária, não?), respondeu: “quero chamar a atenção, até assustar, o leitor americano, porque com as frescuras do meu país as pessoas acham que a galinha já vem frita da natureza e embrulhada em plástico, que é só descascá-la (risos) e penso que a proximidade e esta intimidade com os animais faz a comida bem melhor”.

Escrito por Nina Horta às 19h41

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O PRIMEIRO BOURDAIN

Tudo começou assim. Bourdain escreveu um artigo sobre restaurantes e deixou sobre a escrivaninha. A mãe dele não era mãe judia, nem mineira ou italiana, mas leu a matéria e ficou atrás do filho, atazanando o rapaz para que mandasse para a revista mais famosa de Nova York., a New Yorker, que não é nada ligada em comida, mas em bom jornalismo e literatura. .

Qual o tema sobre qual Bourdain escrevera? Os bastidores das cozinhas do mundo inteiro, especialmente as de sua cidade, onde trabalhava. Ensinava os modos de não se morrer envenenado. Vejam “Não coma antes de ler o que vem abaixo.  Boa comida  e comer bem tem tudo a ver com sangue e órgãos, crueldade e podridão.  Tem a ver com gordura de porco muito salgada, queijinhos triplamente gordurosos e mal cheirosos, macias glândulas de timo, e fígados distendidos de pequenos animais”

E comentava também sem escrúpulos ( de politicamente correto não tem nada) o tamanho da criminalidade que reina junto aos fogões, próximos das reluzentes facas afiadas. Por dá lá aquela palha,, dois cozinheiros duelam com a maior naturalidade possível.  E os malditos ratos que têm como protótipo o João Ratão que caiu na panela do feijão e não o asséptico Ratatouille, mais os ingredientes deteriorados, o dia de comer peixe e o dia de evitá-lo. Enfim, abriu a barriga dos restaurantes sobre uma mesa de açougueiro e fez a biópsia nada agradável da profissão. Quem leu ficou no mínimo três meses jantando em casa.

E, principalmente era um artigo muito bem escrito. Os editores não iriam perder aquela jogada. Em pouquíssimo tempo estava pronto o livro Cozinha Confidencial, muito bom , mas não tanto como “À procura do prato perfeito”. Não sei se já estava engatado no seu programa de TV que passa na   Multishow...horário....dia....? A Cooks Tour, série filmada para a rede de cabo americana Food Network. Mas é um livro tanto de viagens quanto de desmistificação de comidas e costumes. Você gosta daquilo que aprendeu a comer quando criança e indo a Roma tem que fazer como os romanos. Comer cobras e lagartos, tatus, cotia, não, passou a ser seu cotidiano.

Entrevistei-o quando veio ao Rio, máscara de Rambo atraente, malhado de tanto subir e descer morro, o menino que virou cozinheiro depois de provar uma ostra fresca. Não largava um minuto o seu jeitão de macho, parecia acreditar que todo o seu sucesso estava atrelado ao seu lado mais escuro. Só que não estava. Aos poucos foi vivendo, trabalhando muito, experimentando a vida nova, e de repente comecei a achar que tinha amansado.  Confessou que ao descrever com tanta crueza as detalhadas mortes de animais queria era chamar a atenção do leitor americano, porque no país dele pensam que a galinha já nasce frita. Achava que a proximidade e intimidade com os animais, inclusive com a morte deles, fazem a comida bem melhor. .Na época seu prato preferido era o ossobuco com sal e uma torrada, a manteiga de Deus (E é magrelo, o bandido).

Pois agora aceitou ser entrevistado por email, depois de já ter visitado o Brasil e comido todos os grandes sanduíches de mortadela do mercado, aproveitado ao máximo a feijoada e se encantado com a Bahia.

Comecei a ver seus programas na TV, e não passa a imagem de Rambo bruto, porque é frágil e muito alto. Está sempre pairando plácido sobre as cabecinhas batendo na sua cintura, de chinesas, japonesas, brasileiras. Todas se entusiasmam com ele, deve ser charmoso.

Pois não é que de repente ele amansou ou melhor, foi domado? Sabe aqueles cachorros barulhentos que pulam no seu pescoço, latem mais do que é preciso, e um dia chama-se um treinador e na outra semana o bicho está sentado com as duas patas da frente em forma de oração e só aceita a carne se você pronunciar umas palavras mágicas?

Pois foi o que aconteceu com o Bourdain. Já rico, trabalhando muito, voando de cá para lá, casou de novo com uma italiana e teve uma filha. O “maldito” dos restaurantes se derreteu, tem saudade da menina, que voltar para casa, aposto que não come mais tantos ovos de mil anos e escorpiões encalacrados. Tem uma família para cuidar.

Vejamos sua entrevista:

 

Escrito por Nina Horta às 19h29

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10- O ADEUS (Último de 10)

O ADEUS

ou

No hay porteros ni vecinos.

“A Media Luz” tango

           

Sexta-feira desceu alegre do morro em minha direção. Me deu um beijo rápido na boca, para mostrar o prazer de me ter ali, mas tão brusco e ríspido que rasgou meu lábio.

            Não precisava de mais nada, eu sabia que iria comer o pão que o diabo amassou.

            O rosto mudava com o vento, ora triste, ora alegre, ora fingido de triste ou alegre. Interesseiro, lá isso era. Se eu fritava um ovo, estava sempre por perto para comer a clara torradinha e deixar a gema mole para mim. Se eu fazia um peixe, aparecia logo com cara de cachorro pidão.

            Eu sabia que lá vinha chumbo quando se punha deprimido, cara de fragilizado, sem futuro, e agüentava a cara até a hora de um presente qualquer que podia ser um pedaço de abacaxi com casca ou um punhado de pitangas. Gostaria, mesmo, eu sei, de uma maçaroca de dinheiro herdado, de preferência, ou uma droga qualquer. Ma dove?

             E não me importava nem um pouco. Ele fazia a minha vida mais feliz, botava fogo na lenha só para ver queimar.  Sabia imitar os bichos e me imitava também, como uma coruja chata e ciumenta. Era grave e às vezes terno.

            Uma peste, se querem saber, e a primeira coisa que fez foi inutilizar minha Amazon, mexendo no programa com um espinho de limão bravo, foi sem querer, só pode ter sido sem querer, acabou instalando um Linux que confundiu o site da livraria para sempre, ô Sexta-feira impossível.

            Era a própria amante argentina, que faz do outro gato e sapato com a maior naturalidade, como se tudo desse mundo lhe fosse devido. Eu cedia, cedia sempre, tinha ciúme, imagine ciúme numa ilha deserta.  Queria que estivesse perto, queria que estivesse longe, mas que longe se lembrasse de mim, queria saber quem fora antes, quem seria depois, e moldá-lo à minha imagem e semelhança.

            Muitas vezes em hora de aflição se escondia em grotas, como num altar, e eu sabia que rezava, vestido de trapos mas com o corpo tampado como São Francisco, só o rosto angustiado de fora, mas era impossível ver ele por dentro, era uma ilha dentro da ilha, e eu sentia ciúme, tinha medo que fugisse.

            Como quando se deitava de lado, os joelhos quase encostando no queixo, nu na areia dura, onde morrem as ondas, sentindo a espuma leve e o arrebentar das bolhas frescas, só Freud explicaria, o olhar era inteiro para dentro, cheio de gozo e arrepios, aí que meu ciúme era verde, era uma sombra verde, e por querer eu matava sua alegria, sua vitalidade de potro.

            Eu o preparava, cheia de tremores para o barco que responderia aos meus apelos, um dia.  Nunca o fiz de criado. Não era meu filho, meu amante, meu escravo, era quem, então? Um estrangeiro, isso eu sabia. Dei-lhe a bússola, os restos de lona, a pólvora, o próprio baú, tinha medo que fosse um regifter e passasse os presentes para outro.  Quem, meu Deus?

            Sabia que um dia ele se iria embora na embarcação que eu chamara, mas nada me podia impedir a obsessão kitsch. Amava a insuportável leveza de seu ser e quando a hora da despedida chegasse lhe daria de presente viejos tangos de mi flor y um gato de porcela, pa´que no maulle...

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10 MARCEL PROUST

A Prisioneira

(Em busca do tempo perdido)

Escrito por Nina Horta às 13h47

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QUE NÁUSEA! 9 de 10 CRÔNICAS DE ILHA DESERTA

QUE NÁUSEA!

 

OU

Todos os tédios convergem.

            Luiz H. Horta, Constantes Geográficas.

 

            A ilha era bonita a mais não poder. Acontece que de vez em quando me sentia mal. E corria para o meu cachimbo, como uma negra velha para afugentar meus problemas. Por que será a civilização proíbe o cachimbo às mulheres? Me intrigo...

            Acredito que no fundo da alma, eu não passava de um marinheiro angustiado, olhando desesperadamente para a solidão da minha vida, procurando no horizonte uma vela, um drapejar branco, um barulho de vozes...

            Cada manhã eu esperava que acontecesse alguma coisa, levantava assustada, apertava os olhos para o horizonte querendo ver mais, e os anoiteceres eram cada um mais triste que o outro, eu só queria estar no amanhã, mais próximo de um futuro melhor.

            Só que os dia teimavam em me iludir. Sucediam-se um ao outro, sem conta, sem trazer nada. As outras existências por piores que fossem, tinham pelo menos a possibilidade de que alguma coisa brotasse, uma mudança radical, e que o menor mal de todos fosse a morte.

            Ai, ai, eu sentia na minha alma lufadas de tédio, e me tornava caprichosa, esquisita para mim mesma, um dia só tomava leite puro das cabras, no dia seguinte não podia vê-lo e me enchia de chá de erva-cidreira.

            Será que aquela miséria duraria para sempre?  Será que nunca mais sairia dela?

            Que tédio, eu dizia a mim mesma, que tédio! Nunca conseguiria o sentimento da felicidade. De onde me viria essa insuficiência de vida, essa incapacidade de saber aproveitá-la, aquela repentina podridão instantânea das coisas ao meu redor? Só queria morrer....

            Não adiantava procurar um lugar que me coubesse. Aliás, nada valia a pena, o trabalho da procura, muito menos. Tudo mentia. A alegria escondia uma maldição, cada prazer um desgosto.

            Uma situação impossível, um abismo cavado á minha frente. Meu peito ofegava, parecia que ia arrebentar.

            Há poucos dias, presa de angústia e completa falta de ar, fugi, desci a encosta correndo, atravessei a prancha das cabritas, o atalho, e cheguei à praia. Parei de repente, extremamente surpresa com a pegada de um pé descalço, muito visível na areia. Fiquei aturdida, como se tivesse visto um fantasma...podia ser o diabo, tive medo.

 

            P.S.: (este é um pastiche quase ipsis litteris não de Robinson Crusoe, de Defoe, como parece, mas de meu livro preferido, o que eu levaria para a ilha com certeza e releria cem vezes, Madame Bovary, de Flaubert). Acabo achando que todos os livros do mundo são um só.

 

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9. Gustave Flaubert

Madame Bovary

Escrito por Nina Horta às 14h07

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PIZA E AINDA O NATAL

 

 

Interrompendo os livros que levaria para uma ilha deserta, só faltam dois, vou reaproveitar uma crônica de Natal que não saiu porque o caderno Comida também não saiu.

O que eu gostaria mesmo era de poder fazer um elogio ao Daniel Piza que foi a maior perda do ano. Aquela pessoa com quem você conversa de manhã, na hora do café já meio tardio e preguiçoso. Eu ia lendo o jornal sem pressa para adiar a hora em que te encontraria, já com o lápis afiado para tomar nota dos livros que recomendava.  O cara se torna seu amigo. Não era um amigo fácil, dengoso, isso não era. Quando lia o blog dele me arriscava a dar uns pêsames, dizer que estava bom, mas só, fosse ele me achar muito idiota.  Daí nunca cheguei a conhecer o Piza, uma vez ele falou bem de mim e do Josimar para logo explicar que não estávamos nem perto do Liebling, com o que concordei, mas era muito difícil chegar perto do Liebling, acho que ele mesmo tentou com uma artigo sobre comida ou restaurante, mas também não chegou perto.

Achei engraçado na São Silvestre quando o brasileiro rompeu a fita, meio atrasado, mas bastante feliz. O repórter o atacou, louco para que culpasse a chuva, a ladeira, mas o rapaz candidamente respondeu que fora muito, muito bem na corrida, estava feliz só que o adversários haviam ido muito melhor, ótimos. Era isso que nos afastava do Liebling, agora te respondo, Piza, a gente dá seu melhor, mas o outro dava seu ótimo.

Não sei como aplacar a saudade que vou ter de você, da sua voracidade, mastigando um livro por dia e assimilando o que estava dentro. Vou tentar trabalhar com a mesma gula que vc, ler mais, pensar mais, trabalhar no buffet, fazer um blog animado, até futebol tenho assistido, mas há de convir que peguei uma época ruim para simpatizar com o esporte. Mas, não vou desistir. Para fazer o que imagino que você gostaria que eu fizesse era preciso conhecer sua família. Prestar atenção nela, ajudá-la agora e sempre contando o que arrancamos de você, como nos fez bem. E quem sabe toda a sua fúria diante do trabalho, (quantos escritores terão escrito o número de livros que vc escreveu até os 40 anos?) a sua curiosidade invulgar, a inteligência clara, a fala fluente,  já tinha dentro de si o medo de desaparecer antes de se dar inteiro a nós? Se não foi assim, vamos pensar que foi, vamos agradecer sempre, vamos ter saudade sempre, vamos imitar com denodo, dentro de nossas capacidades jornalistícas. Combinado?

 

 

NATAL

Não tem maior pavor do que ter que escrever sobre o Natal, ano após ano. Aliás, escrever sobre ele não tem problema, ver como a vida nos mudou é que dói. Porque os natais antigos, quando você ganhava o boneco e o carrinho de lata, mais tarde quando escondia os presentes para aquela meninada, era tudo de bom. Qualquer coisa tomava proporções de mágica, de sinos, de presepes fundadores, de água fresca, de comida boa, de alegria destemperada.  O peru era vivo e cambaleante, os outros cheiros também embebedavam, adquiria-se uma perspectiva feliz em torno da família. Uma enfeitação que não tinha fim, árvore, bola, anjo, crianças representando autos de natal...

            Aos poucos a cena vai mudando como naqueles palcos que rodam devagar e de repente você está sozinho ali no meio rezando por uma praia distante, da qual Papai Noel não conheça o endereço, sem GPS para as renas.  Bom, a família próxima pode ir, mas muitas vezes ela já se adiantou e chegou primeiro ao deserto de Atacama.

            E Jesus, como fica? É chato falar, mas perdeu a partida do consumo. Ele próprio deve andar evitando a data. Foge no dia.

            E começa-se a tentar novos Natais. O da praia deserta é o primeiro, e a decepção a maior de todas. Muitos mosquitos, solidão total, medo de assalto, e conversas sem parar por Skipe com a família inteira o que o faz sentir meio bocó de se afastar de tudo para depois comemorar virtualmente.

            Fingir que a data não existe e ficar na cama assistindo TV. Hooooje é o novo dia..... Quem é aquela que aparece logo no comecinho atrás de uma porta? E como o Juca de Oliveira está bem!Aquela morena da novela exagerou na cantoria e na alegria, pensou que era escola de samba.. E como são distribuídos os lugares? Quem fica lá atrás se chateia? Será que é por sorteio? Não é, a Débora Secco está logo na frente, não vi a Juliana Paes. Puxa, mas o Bonner dá um carteiro e tanto, jeitoso!  

            Ah, viajar naquele avião vazio, justo no dia de Natal, fuga impensada em tempos passados. Que avião vazio? É o dia mais cheio do ano! Todos descobriram o golpe.

Então, tá. Ficar em casa, fazer a comida tradicional da família, sentir saudade do bacalhau da mãe, tentar uma imitação que não chega aos pés porque não é o bacalhau da mãe, escolher uma comida bem fácil de se fazer na hora, porque tradição é igual telhado de Paraty, em menos de quatro anos adquire patina, musgo, e antiguidade. Três anos seguidos de camarão a provençal fazem dele um clássico brasileiro de primeira.

            Quanto a presentes não dá mais tempo, bastava uma graça qualquer, um carinho, um modo de mostrar que você conhece bem o outro, que nada melhor para agradá-lo do que  um caderno de folhas brancas e um lápis. Uma foto antiga do filho para a sua nora, mas não. Fazemos questão de não ter tempo, nem amor, nem tolerância, só cansaço. Vamos lá, quem sabe o palco roda de novo?

            Hooooje é um novo dia, de um novo tempo que começou. Nesses novos dias, as alegrias serão de todos... É só querer, todos os nossos sonhos serão verdade...o futuro já começou.  Hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa, é de quem quiser, quem vier...

Escrito por Nina Horta às 16h22

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Nina Horta Nina Horta é empresária, escritora e colunista de gastronomia da Folha há 25 anos


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