Nina Horta

 

 

Cosi è se vi pare

Cosi è se vi pare

 

Estou lendo um livro novo sobre a India. Ia falar livrinho. Não sei se é por causa do preço menor acho sempre que livro baixado no IPAD é pequeno. E vou lendo... E o livro não acaba, não acaba....

            Era disso que queria conversar com vocês. Lembro que meu pai me deu o primeiro livro de adulto. Era O Guarani de José de Alencar. Quando acabei ele me perguntou se tinha gostado. Respondi que sim mas que pulara uns pedacinho chatos. Ele riu, me pôs no colo e disse que livro não se podia ficar pulando pedaço nem lendo pela metade.

            E hoje, um século depois, (cosi è se vi pare) só deixo um livro de lado se ele me  faz mal, se percebo algum truque, ou se perco. Verdade, os livros nessa casa se perdem por dá lá aquela palha.

             Acontece que preciso rever esse conceito. Para que perder tempo com um livro que não gosto? Sempre acho que uma surpresa vai acontecer, que o melhor pode estar no fim...ou no inconsciente, imagino, que meu pai pode descobrir e me deixar de castigo.

            Na continuação das leituras sobre a Índia peguei um “livrinho” muito bem cotado nas revistas, facílimo de ler. Tigre branco “White Tiger” de Adig, Aravind.

Free Press, primeiro livro do autor, que conta a história de um indiano que ao saber que alto dignatário chinês, o premier chinês, vem à Índia, resolve fazer um guia e contar como são as coisas de verdade. E,é claro, expõe todo o outro lado de uma Índia pobre e corrupta, numa sátira. (Um exemplo. Ao explicar o sistema de castas diz que está reduzido a “homens barrigudos e homens sem barriga”).

            No começo, no próprio embalo dele achei que era uma das melhores coisas que havia lido sobre o assunto, mas com o correr das páginas foi ficando chato pra burro, repetitivo, PARA MIM.. Ainda faltam umas páginas e a minha dúvida é a seguinte. Leio até o fim, ou paro já e digo que não vale a pena, que já sei tudo. Sei tudo da situação, do espírito da coisa. Das seitas e das religiões e das diferenças entre eles, acho que nem eles sabem muito.Quem é brasileiro sabe todas essas histórias de classe, de racismo, de escravidão, de pobreza.  Parecidíssimo, só um jovem com muita vida pela frente é que poderia se dar ao luxo de ler tudo que lhe aparece pela frente. Talvez bom para se ler como primeiro livro sobre a India e desmitificar para sempre.

            Acho que  minha filha seria um bom exemplo de leitura. Não passa da página 3 de um livro que acha ruim. Talvez tenha lido pouco, mas sempre livros ótimos.

Cada um que se resolva, eu estou pensando. 

 

Uhmmmm., vejam o desfile que me mandaram. Talvez seja uma boa pedida ler o livro acima, sim. Desigualdades.


http://www.youtube.com/watch?v=QWtOvbQHFIM

Escrito por Nina Horta às 16h33

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Nina Horta Nina Horta é empresária, escritora e colunista de gastronomia da Folha há 25 anos


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